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  • Rayssa Leal, a Fadinha, ganha projeção no Skate Street e se aproxima da Olimpíada de Tóquio

    A pequena Rayssa Leal, conhecida como ‘Fadinha’, proporcionou mais um momento de destaque no cenário mundial do skate. Afinal, com apenas 11 anos, a maranhense subiu ao pódio como vice-campeã de Skate Street, no Campeonato Mundial realizado na cidade de São Paulo, no último fim de semana. Um resultado que a deixou muito perto da Olimpíada de Tóquio em 2020.
    Um vídeo, uma manobra e mais de 20 milhões de visualizações na internet. Foi assim, que começou a história da ‘Fadinha do Skate’. Em entrevista ao Globoesporte.com, a atleta natural de Imperatriz-MA, não escondeu a felicidade da conquista e de estar nos holofotes do esporte, que pratica desde os 6 anos de idade.
    – Eu estou muito feliz de ter feito a dobradinha com a minha melhor amiga (Pâmela Rosa), a pessoa que me inspira. A experiência de estar em um pódio representando o Brasil, é muito legal. Eu espero que possa ter mais campeonatos assim no país, para poder fortalecer a modalidade tanto na categoria feminina como a masculina. Isso ajuda a dar visibilidade para quem está começando – ressaltou.
    Dispensando qualquer outro tipo de brincadeira padrão, a maranhense desde pequena já demonstrava a afinidade que teria com os esportes radicais. Através de um amigo da família, Rayssa foi apresentada ao skate.
    – Ela começou aos seis anos, com um amigo nosso. Desde sempre o gosto por brincadeiras foi no estilo radical, nunca pegava uma boneca pra brincar, exceto se alguém tivesse lá brincando com ela. Ela já tinha o patins e esse nosso amigo mostrou o skate pra ela. No início, tínhamos medo de ela se machucar, mas foi tranquilo. Só não imaginávamos que ela chegaria a esse ponto – contou a Mãe da skatista, Lilian Leal.
     Foi algo por acaso. Na minha escola, estava tendo um desfile cívico com o tema de historinhas infantis e me colocaram pra ser a Sinhinho (um Fada do conto infantil Peter Pan). Só que no mesmo dia, tinha um competição de skate que a galera da cidade organizava, para ver quem fazia a melhor manobra, e eu queira muito ir. Assim que acabou o desfile, o evento já estava rolando, ai eu falei pra minha mãe: “Me dá logo meu tênis, que eu quero ir logo”. As minhas roupas estavam no carro para trocar, mas não dava mais tempo e acabei indo de Fadinha mesmo. Depois, quando eu fui ver os comentários das pessoas, o nome já tinha viralizado – relembrou a atleta, sobre a origem do apelido.
    Começo difícil
    Rayssa tem como inspiração alguns dos principais nomes do skate feminino no mundo, as brasileiras Letícia Bufôni e Pâmela Rosa, ambas, amigas dentro e fora da pista. Com muito em quem se espelhar e com fama na internet, a evolução da maranhense foi tão rápida, que os pais resolveram levá-la para a disputa do primeiro Campeonato Brasileiro de Skate Street Mirim, em Julho de 2015, em Blumenau-SC.
    A família humilde do interior do Maranhão, teve que encarar aproximadamente 2.800 km de ônibus para poder chegar até o sul na competição. Mas o resultado colocou o nordeste no mapa do skate brasileiro. Rayssa havia se tornado a primeira campeã mirim de Skate Street no país.
    A Lilian, mãe da Rayssa lembrou dos desafios para passar por cima das dificuldades financeiras. A família chegou a fazer até vaquinha online para poder custear as a primeira viagem, mas só deu para pagar a passagem de ida.
    – No início foi bem difícil. A gente chegou a pensar em desistir por não ter condições financeiras para levar ela aos campeonatos. Mas tentamos fazer de tudo como rifas, sorteio, vaquinha online, tudo para poder arcar com custos de viagens. Nós sabíamos que era uma coisa que ela gostava, então procuramos todos os meios possíveis. Na nossa cidade, nenhuma empresa acreditou na Rayssa, no sentido de apoiar ela ou dar suporte nas viagens. A primeira viagem de campeonato foi para Blumenau-SC. Nós fomos de avião e somente com a passagem de ida e a coragem. Na volta, trouxemos o título de campeã brasileira, mas tivemos que voltar de carona no ônibus, por não ter dinheiro. – lembrou a Mãe.
    Apesar de sensação nas pistas, a atleta ainda tem outras obrigações em sua carreira: os estudos. Segundo a atleta, a conciliação só é positiva pelo apoio que a escola oferece.
    – A minha escola nos apoia demais. Mesmo quando viajo, eu levo as atividades pra fazer na viagem para poder não perder nada. A instituição desde o início da minha carreira foi parceira em me ajudar com as reposições de aula quando necessário – contou.
    Todo esse alvoroço não é atoa. Membro da seleção brasileira, a skatista é um dos destaques da modalidade no país. E sua fase é espetacular. Esse ano, ela venceu o Far’N High, na França, e ainda foi bronze na Street League Skateboarding (SLS), em Londres. Mais cedo, ainda no primeiro semestre do deste ano, Rayssa havia sido campeã da etapa de Los Angeles da SLS. Na ocasião, a atleta haiva superado as amigas Letícia Bufoni e Pamela Rosa. A grande meta para 2020 são os Jogos Olímpicos de Tóquio.
    O Brasil nos Jogos de Tóquio 2020
    Pelos critérios estabelecidos para as Olimpíadas, o Brasil poderá contar com até 12 atletas no total em Tóquio – três no Park Feminino, três no Park Masculino, três no Street Feminino e três no Street Masculino.
    O apelido
    Algum tempo depois, Rayssa continuou praticando e evoluindo. Com a ajuda da mãe, resolveu começar a postar vídeos de suas manobras na internet. Um deles havia chamado bastante atenção, quando a atleta resolveu participar de uma competição local, vestida em uma fantasiada de Fada. O vídeo repercutiu tanto que, além de mais de 20 milhões de visualizações nas redes sociais, os fãs começaram a identificar a atleta como a ‘Fadinha do Skate’.
    A participação desse número limite dependerá do desempenho dos brasileiros ao longo das duas janelas classificatórias estabelecidas pela World Skate para a corrida olímpica. O primeiro ciclo já fechou no último dia (15). A segunda janela já 16 de setembro de 2019 a 31 de maio de 2020.(Globo Esporte)

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